A recente condenação de um professor por injúria racial contra um adolescente negro, dentro de uma escola privada de Maceió, chama a atenção para uma realidade que não pode ser silenciada ou tratada como brincadeira: o racismo também se manifesta no ambiente escolar e produz consequências profundas na vida de crianças e adolescentes.
Segundo o Ministério Público do Estado de Alagoas, o professor foi condenado, em 2 de setembro de 2026, a sete anos e três meses de prisão pelos crimes de injúria racial e corrupção de menores, além do pagamento de indenização mínima de R$ 15 mil à vítima. A decisão ainda admite recurso.
O caso aconteceu em fevereiro, durante uma aula do 8º ano. Conforme a denúncia, o professor associou a imagem de um chimpanzé a um estudante negro de 13 anos, diante de outros alunos. Depois do episódio, o adolescente permaneceu como alvo de chacotas, ficou profundamente abalado e apresentou resistência para retornar à escola.
Racismo não é brincadeira
Comentários, comparações, apelidos e “piadas” baseadas na cor da pele ou nas características de uma pessoa negra não são inofensivos. Essas práticas constrangem, humilham, reforçam estereótipos e podem afetar a autoestima, a saúde emocional, a convivência social e o desempenho escolar da vítima.
Quando a violência parte de um adulto responsável pela formação dos estudantes, a situação é ainda mais grave. Professoras, professores, gestores e demais profissionais da educação ocupam uma posição de confiança e possuem o dever de orientar, acolher e proteger.
O Estatuto da Criança e do Adolescente determina que crianças e adolescentes devem ser preservados de qualquer tratamento violento, vexatório, humilhante ou constrangedor. A legislação brasileira também reconhece a injúria racial como crime e estabelece instrumentos para o enfrentamento da discriminação racial.
A escola deve ser um espaço de proteção
A escola não pode reproduzir ou naturalizar o racismo. Ela deve atuar de forma permanente na promoção da igualdade, na valorização da identidade negra e no respeito às diferenças.
Esse compromisso envolve a implementação de uma educação antirracista, a formação continuada dos profissionais, a inclusão efetiva da história e da cultura afro-brasileira no currículo e a existência de procedimentos claros para acolher denúncias e interromper situações de violência.
Não basta punir depois que a violação acontece. É necessário prevenir, educar e construir relações baseadas no respeito.
Como agir diante de uma situação de racismo
Ao tomar conhecimento de uma situação de racismo ou discriminação contra uma criança ou adolescente, familiares, educadores e testemunhas devem:
• acolher e escutar a vítima sem culpabilizá-la;
• não minimizar o ocorrido como brincadeira ou conflito comum;
• preservar provas e registrar as informações disponíveis;
• comunicar formalmente a situação à gestão da escola;
• buscar o Conselho Tutelar, o Ministério Público ou as autoridades policiais;
• garantir acompanhamento psicológico e apoio à vítima, quando necessário.
As violações de direitos humanos também podem ser denunciadas pelo Disque 100. O atendimento é gratuito, funciona 24 horas por dia e aceita denúncias anônimas.
Compromisso com uma educação antirracista
O CEDECA Zumbi dos Palmares reafirma que toda criança e todo adolescente têm direito à dignidade, à igualdade, ao respeito e a uma educação livre de discriminação.
Combater o racismo no ambiente escolar é responsabilidade das instituições de ensino, das famílias, do poder público e de toda a sociedade. O silêncio protege a violência. O acolhimento, a denúncia e a responsabilização protegem crianças e adolescentes.
Racismo não deve ser naturalizado. Racismo deve ser enfrentado.